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Rádio Pereira

Um 2 de fevereiro pra não esquecer

       Era um final de semana especial. O encontro estava marcado para a cidade de  Salvador, longe de tudo e de todos – como sói acontecer com amores fortuitos, escondidos, sigilosos e quase proibidos. Vínhamos de lugares diferentes, mal nos conhecíamos e a expectativa do encontro só era menor do que a certeza do que iria ocorrer – depois daquilo, quem sabe, somente a eternidade...

 

Prevalência do bom senso

       Depois de uma semana marcada por encontros e desencontros, invasões e declarações estapafúrdias,  que deixaram o país em suspense e desencadearam  o começo de perigosa histeria coletiva, eis que a paz promete voltar  e bom sinal é a decisão dos juizes de suspenderem a greve programada para a próxima semana.  O movimento paredista da justiça brasileira seria o  primeiro na história e suas conseqüências, certamente,  seriam desastrosas.

Os meus mortos

               Os meus mortos. Ah! Se eles estivessem vivos!

Empada com caldo de cana

       Uma das coisas boas da vida de criança/adolescente era lanchar. Aliás, o tempo não conseguiu mudar este conceito, pois lanchar continua sendo uma preferência de muitos – dos baixinhos, não baixinhos e, sobretudo das mulheres em geral.  Só que no meu tempo os lanches eram bem diferentes. Por exemplo,  não existiam os Mac Donald’s,  os Mister Pizzas e outros congêneres, de modo que a gente tinha de se satisfazer  era mesmo  com  o sanduíche de pão-com-pão, a bolacha soda com ponche de goiaba, os doces mariolas ou “similares”, ou ainda um pão com manteiga esquentado na grelha que, ajudado com uma xícara de café com leite, não tinha igual no mundo.

Um abraço molhado

               Naquele tempo, pelo que me recordo, o 12 de junho não era comemorado  como nos dias de hoje -  o dia dos namorados. A data  marcava o início do período junino que se estendia até o dia 29, dia de São Pedro, sendo a véspera de São João, dia 23, o mais festejado.

 

Sete vidas (IV) Namoro em Minas Gerais

  A minha saga no Liceu Paraibano se encerrou de forma solene e inesquecível.

Uma “Festa” de três anos

       Do jovem meio tímido,  bonito e elegante -    apesar da distância que  nos separava -    colecionei, ao longo do tempo,  notícias e generosos comentários de quantos privavam de sua amizade. Seu pendor pela arte, aliado ao esforço e abnegação, o fez  se afirmar como pessoa autêntica, determinada a viver sua vida como lhe ditava a consciência.

O Botafogo em filme (ficção e realidade)

       Os que acompanham as notícias do Botafogo de Futebol e Regatas através deste bem cuidado blog, haverão de saber que eu - no alto dos meus 70 anos – deixei de assistir aos jogos do meu clube preferido, desde que os jogadores que hoje vestem a camisa alvinegra decidiram que... empatar era o máximo que poderiam conseguir.

Sete vidas (V) Amigo velho, o campeão

Esta crônica tem a ver com  o meu tempo de engenheiro e administrador de órgãos públicos, que exerci durante bom tempo da minha vida. E lembro, em resumo, passagens da construção do Almeidão – faço disso a minha sexta vida.

O executivo de botas

       Do quase dilúvio que se abateu sobre a Paraíba, no último mês de janeiro, a grande João Pessoa não escapou. E, naqueles dias, em Intermares que é o mais nobre (?) bairro de Cabedelo, passou-se um interessante fato que, a seguir, lhes conto.

Edísio Souto e a tartaruga

Nas minhas caminhadas vespertinas  eu o encontro com freqüência. Está invariavelmente sentado na mureta do calçadão do Cabo Branco, sozinho ou bem acompanhado, atento a tudo que passa ao seu redor. Nunca o vi a caminhar, correndo nem pensar. Perto dos 80, de bem com a vida, mesmo depois que perdeu a mulher com quem foi casado mais de 40 anos, no momento está a cultivar um novo amor que – segundo me dizem – renovou a sua vontade de viver.

A velha Orquestra Tabajara

       O começo da história não conheço muito bem. Dizem que, um dia em Itabaiana, terra também de Sivuca, Severino Araújo juntou uns amigos que gostavam de música e ensaiou os primeiros acordes do conjunto no coreto da praça. De lá saiu para uma apresentação no auditório da Rádio Clube de Pernambuco, num tempo em que as orquestras se apresentavam ao vivo e eram muito requisitadas para todo tipo de festa – batizado, formatura, casamento, reveillon, Reis, São João e até a Festa das Neves. Naquele palco na rua do Lima ganhou os primeiros aplausos, mas não os primeiros dinheiros. Estes ele só veio a tê-los quando a PRI-4 resolveu apresentar o conjunto como a Orquestra Tabajara da Paraíba do maestro Severino Araújo, no final dos anos quarenta, se a memória não falha.

Velhos carnavais

               Depois do café da manhã do sábado, começava o trabalho de produzir as máscaras com as quais cada um de nós iria desfilar no bloco do urso, adredemente preparado para obter alguns mil-réis nas casas da vizinhança, com uma banda composta de bombos feitos à base da lata de goiabada e cornetas com canudos de mamão, além dos indispensáveis apitos com que se anunciava a chegada do bloco.

Sobre restaurantes

       O primeiro restaurante chinês de João Pessoa funcionou na Epitácio Pessoa, perto da esquina da Ruy Carneiro, em mil, novecentos e antigamente. Era uma casa alugada que foi decorada com motivos da China, em que não podiam faltar os leques abertos na parede, os sinos balançando ao vento na porta de entrada e coloridas  lanternas feito lustres descendo do teto quase em cima das mesas. Numa noite de sábado, lá fui ter com amigos para inaugurar a nova casa de pasto – como dizem os cronistas especializados. Chamamos a jovem garçonete que, de chinesa não tinha nada, estava muito mais para alguém recém-chegada do interior. Nos atendeu com presteza e nos apresentou o cardápio que continha os nomes dos pratos, em português e em chinês – aqueles sinais milenares que só Evandro Nóbrega seria capaz de traduzir. Havia os indefectíveis rolinhos primavera (empanados de repolho), as sopas (algumas cheias de langanhos) e os pratos principais, dos quais  o  peixe doce-azedo, a carne ao molho de soja e o frango xadrez com amendoim eram os preferidos. Minha mulher, antes de ir direto a eles, decidiu começar por  uma sopa chinesa, feita à base de ovo, pedaços de frango, acelgas, cebolas e o que mais tivesse direito. Chegado o prato, fumaça saindo por todos os lados, eis que a distinta garçonete, olha para todos nós e faz o comentário, com certeza inoportuno mas absolutamente sem maldade:

 

Perdas e ganhos

        O ano de 2008  terminou. Como fazem as empresas com os seus balanços e os jornalistas com o destaque dos principais acontecimentos, também me disponho a registrar, sem preocupação com a cronologia, o que de mais importante se passou com a minha  empresa  ao longo dos últimos 365 dias.

Ele não morreu: encantou-se PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

        Foi um político respeitado, ao longo de toda sua vida.  Impôs-se a essa atenção especial, mercê da trajetória marcada pela transparência das suas ações e sobretudo pela coerência de algumas posições que assumiu, -   temerárias e até ousadas -  tomadas num tempo em que poucos tiveram a coragem de enfrentar a prepotência e o arbítrio.

 
Elcir Dias PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Um dia desses, depois de uma noite mal-dormida,  resolvi ligar para  Gonzaga Rodrigues para saber mais alguma coisa sobre Elcir Dias e lhe expliquei o porquê daquele telefonema na hora do café da manhã. E’ que, de madrugada, entre sonhos e realidades, detive-me, por bom tempo, em lembranças de Elcir Dias. Buscava lembrar o nome do seu irmão, que foi meu colega de DER por muito tempo e não conseguia. Cheguei perto, ao recordar do seu pai, o Dr. Antônio Dias, advogado conceituado e experiente na área administrativa o que lhe levou a  Diretor do DSP – se não me engano.

 
Edísio Souto e as tartarugas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Quando das minhas caminhadas vespertinas, eu o encontrava com freqüência. Estava invariavelmente sentado na mureta do calçadão do Cabo Branco, sozinho ou bem acompanhado, atento a tudo que se passava ao seu redor. Nunca o vi a caminhar, correndo nem pensar. Sempre de bem com a vida, depois que perdeu a mulher com quem fora casado durante muitos anos,  encontrou em Maria Augusta um novo amor,  que lhe renovou a  vontade de viver.

 
E lá se foi ele de novo... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Quando ele chegou por aqui,  foi quase de mentira, afinal de contas o cromo na parede marcava Primeiro de Abril. Entrou pela varanda e apareceu  na pequena sala, após varar silenciosamente a porta de vidro e a cortina aberta de ponta a ponta. Enquanto era dia, reinou no recinto: bateu teimosamente nos porta-retratos dispostos sobre a cômoda e se infiltrou entre os CDs pendurados na parede, como a querer ouvir mais de perto a Orquestra Tabajara de Severino Araújo.

 
No caminho do avô PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Quando estourou a chamada “primeira guerra do Golfo” com o presidente dos Estados Unidos de então, o Bush velho,  mandando invadir o Iraque, em 1991, Juliana tinha dois anos. Não sabia o que era guerra, pensava somente em brincar, comer e dormir. Em dias daquele ano,  o seu avô Weber lhe dedicou uma poesia em que falava de Juliana,  e  de   meninas iraquianas, cujas vidas estavam sendo sacrificadas em mais uma  guerra marcada pela iniqüidade.

 
Dr. Arraes e o sentimento do mundo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Conheci Miguel Arraes pessoalmente quando ele foi governador de Pernambuco pela primeira vez.  No final de 1963 estive  no Palácio do Campo das Princesas, no Recife,  junto com colegas concluintes  de Engenharia da UFPB, para comunicar sua  escolha como  Paraninfo e convidá-lo para participar das solenidades da formatura. Foi o primeiro contacto pessoal, pois de vista e de fotografias eu já o conhecia desde  quando se elegeu  Prefeito do Recife,    que o definiu como nova liderança das esquerdas no nordeste.

 
Drops domingueiros PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Abaixo, passo-lhes alguns fatos que, se não são pérolas nem jóias raras, se tornam interessantes porque recolhidos no dia-a-dia ao longo do tempo.

Antigamente uma das questões mais freqüentes do “adivinhe, se puder” era acertar no  que é desnecessário no cemitério. A resposta, lógica , era:  o muro, porque quem está fora não quer entrar e quem está dentro não pode sair.

 
Dr. Mário de Moura Rezende PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Deparo-me, ao abrir o jornal, com o convite para a missa de sétimo dia de falecimento do Dr. Mário de Moura Rezende. E aí me vêm recordações de um tempo em que ele era o Juiz de Menores de João Pessoa e do quanto ele tentou – algumas vezes com êxito – fazer pelos meninos de rua da cidade.

 
Dr. Emílio: um trezeano noventão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Deixei passar uma semana do seu aniversário, li quase tudo que se escreveu nos últimos dias sobre ele. Gonzaga, Luiz Crispim e Biu Ramos – entre outros, disseram quase tudo sobre Emílio Farias, de suas qualidades como homem probo,   honesto e sobretudo sobre o desassombrado magistrado que honra a justiça paraibana.

       Insisto no “quase tudo” porque não vi uma linha sequer sobre uma das marcantes características do desembargador, hoje um noventão (resisto ao solene  “nonagenário”) alegre e assumido  - a de desportista convicto e autêntico.

       Ao certo não sei quando ele começou a se interessar pelo futebol e não tive a preocupação de consultá-lo sobre o assunto. Sei bem que ele é mais antigo (não velho!) do que uma de suas paixões, o querido Treze Futebol Clube, o aguerrido “galo da Borborema”, e torce pelo alvinegro do bairro de São José com uma fidelidade de causar inveja ao mais empedernido dos botafoguenses.

       O Doutor Emílio, cujo interesse pelo futebol, o fez um profundo conhecedor da legislação esportiva, a ponto de defender várias vezes, nos tribunais de justiça desportiva – sempre com êxito – as causas da sua agremiação, foi também e ainda o é, um  dos mais ferrenhos admiradores do bom futebol.

       Muitas vezes, no antigo campo do Cabo Branco, no estadinho da Graça, no Almeidão, no Presidente Vargas ou no Amigão, lá esteve, ao lado do mais humilde torcedor, aplaudindo as belas jogadas do seu time de coração. Principalmente nos jogos do Treze contra o Campinense e mais, à antiga, nos chamados prélios disputados com o Botafogo da capital.

       Lembro (ainda menino), e Doutor Emílio deve ter esse jogo na memória, de que, numa bela tarde de domingo, no campinho do Cabo Branco, em Jaguaribe, no final dos anos 40, o Treze levou uma goleada histórica do Botafogo. Foi um 4x0 saudado com palmas, apitos, gritos e urros da torcida do alvinegro de João Pessoa, a contraditar com a tristeza dos torcedores trezeanos, tomando de  cabeça baixa quase a chorar, os ônibus que os levariam de volta à cidade rainha da Borborema.

       Doutor Emílio, com certeza, estava na velha arquibancada de madeira do Cabo Branco e só ele, do alto de sua experiência de vida, e com a lucidez que Deus lhe concede até hoje, poderá dizer do seu sentimento naquela aziaga tarde domingueira. Certamente, a tristeza daquela derrota,  foi compensada, meses depois,  pela alegria de uma retumbante vitória que seria alcançada no campo do Treze, diante do mesmo adversário.

       Naquele tempo, um jogo entre Botafogo x Treze era, por assim dizer, um desfile do que havia de melhor no futebol da Paraíba. E, desculpem a comparação, era como se ali estivessem jogando Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho ou Roberto Carlos. Quem não se lembra de Harry Carey, Félix, Urai, Arrupiado, Zé Pequeno, Mário, Araújo, Ruivo – pelo Treze e Zé Armando, Letárcio, Kleber, Vavá, Berto, Tita, Chaves, Arquimedes, Milton, Dega, Nuca – pelo Botafogo?

       Pois bem, eu que não pude ir à festa dos 90 anos bem vividos do Doutor Emílio Farias, comemorados na semana passada, a par do telefonema que lhe dei no dia do seu aniversário, acrescento a tantas outras,  minha homenagem escrita a esse homem, por todos os títulos,   merecedor   das oportunas loas que, em seu louvor, foram construídas.

       Parabéns Dr. Emílio Farias,  estimado amigo, trezeano noventão. Receba meu  abraço fraterno.  Com as mais sinceras  saudações botafoguenses.

 
Dorgival e um fim-de-semana em Taperoá PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

            Quando ele era Governador, as obrigações do cargo pouco o deixavam ir lá, mas nas duas ou três vezes que foi, me chamou para acompanhá-lo. Não fui porque, mesmo que Dorgival Terceiro Neto, pela sua simplicidade – que às vezes chega a ser brusca – dispensasse quaisquer tratamentos e saudações formais, havia sempre aqueles que, naturalmente, estavam a seu lado, por força da missão a que se destinavam. E, para conhecer o seu “sítio” e o seu povo, preferi aguardar uma oportunidade quando ambos, eu e ele, estivéssemos fora do Governo.

 
Dona Daura, eu e o Liceu PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

               O velho Liceu Paraibano e quatro cenários diferentes.

               Janeiro de 1950: no auditório repleto de jovens ansiosos,  o Chefe de Disciplina Antônio de Barros sobe ao palco e começa a leitura dos candidatos aprovados, por ordem alfabética, no rigoroso exame de seleção à primeira série ginasial. Sorrisos e choros se misturam, uns vão saindo de fininho, outros vão se abraçando, pensando nos próximos dias quando vão finalmente estudar no Liceu, com o privilégio de ter D.Daura como professora de Matemática. Entre eles, lá estava eu, então com 11 anos.

 
Sobre agendas, domingos e feriados Carlos Pereira PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       Noutros tempos em todo começo de ano a coisa se repetia: eram agendas e mais agendas que me mandavam como brinde. Hoje, aposentado (e de férias), não detendo nenhum cargo público, e com um  curriculum vitae que é feito  de “ex”,  o jeito é comprar uma,  pois aquelas que, às vezes  vinham até  acompanhadas  de uma garrafa de  uísque de 12 anos, legítimo escocês,  sumiram. Como  Carmen  não esquece de me presentear com  a agenda bíblica, pelo menos um calendário está garantido: e esse é interessante porque além de me situar bem nos evangelhos e epístolas de cada dia, me dá ensejo de saber quais são os santos de plantão.

 
Domingo de complementos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Pereira   

       O espaço livre de hoje é dedicado a complementos de assuntos objeto de crônicas anteriores. Sobre a antiga Avenida Vera Cruz, hoje rua Aderbal Piragibe, o amigo, colega e sempre leitor atento Paulo Thadeu me manda e-mail esclarecendo que a história daquele arrabalde se completa com a informação de que a fazenda (ou o grande sítio) que ficava no flanco esquerdo da imponente Igreja do Rosário pertenceu aos seus parentes (na época, parentes ricos) os Londres da Nóbrega. A herdeira principal daquela área,  Ruth Londres, ficou viúva ainda na década de 50. No ano de 1971, o governador Ernani Sátiro desapropriou o local para a construção do Centro Administrativo, hoje arcaico e superado. Com o numerário recebido da desapropriação, a viúva adquiriu um apartamento no simplório bairro da Torre, no Recife (ali pertinho da antiga fábrica das camisas Torre), onde veio a residir por motivo do casamento de sua filha única com um pernambucano. Obrigado ao Thadeu pelo oportuno e necessário complemento.

 
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